sábado, 3 de julho de 2010

Bastou o passar da meia-noite



No som de uma castanhola eu me acalmo a passear nos acordes de uma voz que com delicadeza me rapta aos poucos.
Eu não me encontro aqui, sei que estou em você.
Sinto cada nota, me derramo em seu corpo.
Com um chapéu prateado eu percorro pelas matas sombrias e no vento que me toca, eu rabisco uma imagem filmada pela câmera dos meus olhos.
Miragem? Sei que não! É bonito de se ver.
Jeito curioso, toque misterioso... Eu te sinto.
Pelas terras desse chão eu caminho sem medo e sem pressa.
No ápice do cometa que passou por aqui, eu me encontro a sonhar com você mais uma vez.
Uma simples viola me desperta cifras em formas de canções.
Na procura de um amor, me aparece você que só a minha mente sabe.
Na primeira parada, em meu cartão postal eu escrevo o seu nome de trás para frente, por ser um segredo meu.
Bastou o passar da meia-noite que algo mudou, trazendo-me afirmações e nada de dúvidas.

Onde vai dar é questão de viver.

Tomo um “gole” para esquentar essa saudade de um beijo seu que ainda sinto o gosto fresco de algumas horas atrás.

(Sabrina Receputi)

2 comentários:

  1. A saudade é um sentimento sublime, pois só sentimos de quem não está perto de nós. Há algo mais puro do que isso?

    Atualmente presença é quase um pré requisito, saudade só de momentos, de seres não. Quem consegue sentir saudade de quem está longe e sentir-se feliz com isso, sabe o quão mágico é olhar pra alguém e ter a impressão de que tudo a sua volta parece levitar, inclusive você. Detalhes, percepção do que é pouco, ver no pouco muito. Raridade!

    Bom ler seus textos sempre.
    Beijo!

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  2. É bom é saber que gostou. Saudade boa faz o bem!
    Seja bem vinda!
    Beijo.

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