segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vejo as folhinhas dos calendários voarem e atravessarem os ponteiros do meu relógio.




Iniciarei o meu texto com duas breves perguntas:

- O que esta acontecendo com os ponteiros dos relógios?
- E com as datas dos calendários?
Está tudo assim tão rápido.
Me peguei em um momento de reflexão comigo mesma.
Rodou um filme em preto e branco em minha cabeça neste momento e resolvi contar.

Era uma vez, uma menina que corria pela casa de fraudinha e não deixava a sua mãe quieta por tamanha falta do que fazer ou até mesmo por gostar de estar perto dela.
Carregava desde criança cachinhos castanhos escuros e um lindo par de covinhas.
Sempre emburradinha e pirracenta, ela ia mamar. Morria de medo da solidão, por isso nunca dormia sozinha em seu travesseiro gelado. Seu irmão era o atentado da historia, vestia uma roupa de um super herói qualquer em seu imaginário e fazia a “sua” festa nos lugares. Era muito bom!
Ela nunca deixou de morar em seu quarto, fez deste lugar um cantinho repleto de memórias fotográfica onde só ela sabe dos fatos.
As festas aconteciam e ela mais uma vez nunca se abria direito, apenas observava cada um presente e depois pensava consigo mesma como poderiam ser tão malucos. Coisas de crianças. Afinal, ela quase nunca brincava ou se arriscava nessas aventuras.
Até hoje ficou em seu interior a vontade de se extrapolar em uma piscina de bolinhas, de descer sem medo em um tobogã gigante, de pular das alturas sem se machucar... O que a timidez não faz ou até mesmo o medo de expor uma vontade.
Nas ruas, ela brincava de queimada. No colégio, jogava futebol com seus amiguinhos enquanto que suas amigas jogavam peteca. No ginásio, deu o seu primeiro beijo e hoje muita coisa mudou.
No meio disso tudo, os ponteiros continuaram e continuam a quase cento e vinte por hora.
Por viver em um país corrupção, ela adotou maneiras para viver em paz e carrega uma maturidade de uma boa educação, mesmo por ter se prendido tanto no meio de sua timidez.
Mas, mesmo assim ela agradece por não terem tido pena das lagrimas que por tantas vezes passearam em seu rosto, quando ela quis brincar nas ruas próximas de sua casa. Todos os seus amiguinhos daquela época hoje seguem um rumo diferente.
Um é traficante, outro é viciado em drogas. Uma vive indo para a prisão sabe lá porque, outra tem três filhos e nem veste a roupa de uma boa mãe.
Ela continua quieta na sua e apenas escolhendo o melhor, para não possuir um sobrenome assim relacionado ao crime. Melhor assim!
Vejo as folhinhas dos calendários voarem e atravessarem os ponteiros do meu relógio.
Dias e noites invadindo o presente e fazendo do passado um pequeno filme onde não se pode mais voltar atrás.

Agora, tenho só mais uma pergunta a fazer:
- Já que tudo passou tão rápido, o que será dessas crianças que hoje vejo brincar nessas mesmas ruas, sendo que são filhos dos mesmos que essa moça quis brincar um dia?

Acredito que eu já vi esse filme antes, só que agora em cores.


(Sabrina Receputi)

3 comentários:

  1. Maravilhoso.. quase um perfil rs
    Parabéns Sabrina, seus textos como sempre leves e com uma excelente qualidade.

    Beijo!

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  2. E ha... hj me deparei pensando nisso tb, de como o tempo passa rápido! Ai lembrei desse texto.. rs
    bjos!

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