sábado, 5 de junho de 2010

Cortinas fechadas




Como um vento, a vida se espalha em purpurinas transformando o mundo em cores.
Quando uma coisa parece ser capaz de desfazer montanhas por tamanha dor, o impacto nem é da forma que um dia foi desenhado.
Isso é um sinal de um amor próprio onde esse impacto realmente aconteceu, mas de maneira doce com o interior levantando poeiras e acalmando o coração.
Sentir a tranqüilidade em olhar para frente e ver o que nunca “foi visto” por medo, se torna um filme lindo, pois o descobrir é muito mais interessante e o desgostar realmente existe. Basta valorizar a si mesmo!
Nada de enlouquecer, nada de infelicidade gigante e sim uma voz enorme gritando sorrisos por toda a parte.
Olhar nos olhos e perceber que o ”teatrinho com certa marionete” terminou e se foi transformando em um adeus com cortinas enfeitadas com chaves de ouro nesse palco tão pequeno e sem cor, é tão interessante.
Ter uma resposta de anos é excepcional.
Nem doeu!
O vazo se quebrou, a chama se transformou em algo tão sem sal.
Da boca pra fora muita coisa pode ser dita, mas da boca pra dentro, só quem “ouve” sabe como é linda essa libertação.
Filme tosco e desfocado. Tem ibope ainda? Não, já perdeu a graça sim.
A protagonista não recebera mais a glória de enganar ao encenar e sim recebera do amanhã todos os prêmios dos capítulos levianos arquivados por alguns canais.
Ter uma certeza de que um sentimento tão grande se transformou em algo tão pequeno, tão embaçado é uma dádiva quando se tratam de verdades.
O coração pode até tremer, mas não é nada que não passe de “10 segundos de tensão”, o respirar depois volta ao normal com todos os batimentos adequáveis.
Um único pensamento surge:
Como pode ter demorado tanto para isso acontecer?
Pois é, uma história tem o seu início, meio e fim.
Não é novidade olhar para trás e ver que tudo acabou. Esquecer não é ser o dono da verdade e seria um erro focar no “tentar” e só se derramar em lágrimas de infelicidades e incertezas.
Sem chances!
Delícia perceber como um sentimento que não parecia deixar a paz reinar se transformou em algo nojento onde nem olhar nos olhos não importa mais.
A voz irrita, a "máquina" ta rodada para ser idolatrada como a perfeitinha.
Partir é questão de sumir para não pensar em se quer pensar ter perto.
É bobo, é tolo, é um imaginário indiferente perto do que um dia foi inventado, porque pode não ter existido um dia, pode ter sido apenas um querer unilateral.
Fugir, ter medo, querer o banal, deitar em um mar de mentiras só se tem quem ignora o que está bem em frente a você mesma.
Se iludir com uma face mascarada é se perder em cretinice e sujar a própria imagem.
Se entregar só se for com paixão em sintonia.

Sem essa de mil maneiras para agradar e “foda-se” o resto.

Basta ser verdadeiro que o resto flui e esse resto em que me refiro não é resto, é tudo!


(Sabrina Receputi)

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Mistérios"




Dizem que a partir da meia-noite existe um mistério que nunca é desvendado nas caladas ruas da madrugada.
Mas, os mistérios só são mistérios depois das 00h00min?
Imagina você do nada caminhando em plena luz do dia e do nada lhe surge um “mistério” onde as coincidências são atraentes com traços envolventes, digamos que de um lado da moeda é meio “Don Juan” e do outro lado, meio “Branca de Neve”.

Mistura misteriosa, não?

Mas, como assim?

Medo! Perigo?

Que nada... Pra que?

No decorrer da carruagem os mistérios vão se desvendando e o foco distorcendo em palavras firmes e fortes, mas tudo com um sabor de curiosidade.
O imaginário começa a trabalhar mais do que nunca para tentar desenhar um rosto, decifrar uma voz, sentir um abraço mesmo vindo de um lugar distante.
Opa! Mas, invadiram os meus sonhos! Como pode? Nem sei ao certo quem é!
É os olhos estão arregalados e bem a espionar.
Às vezes o acaso coloca na mesa um prato cheio de interrogações e sinceramente, a sobremesa se torna um copo de água com açúcar para acalmar a vontade de ver, de falar.

Ops! De onde veio? Qual a missão? Por que disso?
É, responder com outra pergunta não vai valer, então vamos deixar o mistério mais uma vez tomar conta.
Os dias vão se passando e vão criando um pequenino laço, sendo o de atenção, o de elogios.

“Toc-toc” alguém aí para me deixar entrar e descobrir o que está acontecendo?
Só não pode perder o ar da graça para se tornar irresistível.
Por enquanto só vejo letras que sobre-saem de uma tela e é essa curiosidade de saber o que se tem do outro lado é bem maior, mas já diz o ditado: “Tudo na sua hora certa.”

A cada dia um capítulo escrito na memória, a cada dia um acontecimento novo e a simplicidade de seguir alegremente vai seguindo de acordo com as rodas dos carros que se passam por mim, de acordo com as luzes que se apagam quando chega à noite e de acordo com os meus olhos que estão vidrados nessa história.

(Sabrina Receputi)