sábado, 24 de julho de 2010

"Casas"



Casas e mais casas moram la naquele morro que um dia já foi verde. É lindo de se olhar!
São tantas cores que os olhos de quem assistem se sentem afobados e desapontados.
Vigas tortas abalam uma calma em um segundo.
Basta chover para essas casas serem lembradas.
Roupas são dependuradas quase que no fio de alta tensão trepidando o sistema nervoso.
É de se entender que muitos não têm uma opção sobre onde morar, mas os barrancos e barracos são vitimas do inesperado quase sempre, basta piscar esses mesmos olhos teimosos. Favelas abusam do espaço e da simplicidade que alguns ainda carregam e apenas comandam o comando vermelho, azul, verde, amarelo, tanto faz. Não passam de cores mesmo!
Calibres ocupam as mãos daquele homem com uma aparência ate humilde, mas é de se lembrar que quem vê cara não vê coração.
Opa, um aviãozinho passou por entre aquelas casas neste exato momento, seria o Lula passando? Que nada, foi só um papelotinho sendo negociado.
Gente! Mas que carro “da hora” é esse? Ué, o proprietário só tem 17 anos e nem faz nada da vida a não ser tomar conta de uma das entradas daquelas casas com sua arma de brinquedo.
O mais interessante é que também existe um velho ditado sendo que "o pior cego é aquele que não quer enxergar".
Então para que chamar a Policia? De 100%, 80% vão vestir de fato a farda?
Está tudo invertido ultimamente. As normas são: "Que vença o melhor, meu bem"!
Alguém anima a fazer um bolão para saber o vencedor?
Enfim.

(Sabrina Receputi)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

"the end"



Porque que surgem dias estranhos onde faz parecer tudo tão sem sentido?
O pior de tudo é que os pensamentos vagam procurando um motivo e não encontra nada ou encontra?
O bom é ter a certeza que as pernas continuam seguindo, num é mesmo?
Ops! Quantas interrogações, para que tudo isso? Melhor evitar essas interrogações antes que seja tarde demais. Já nem importa, já foi!
Esse lado temperamental da coisa da certo nervoso, mas é de se entender o que esta no intimo de um querer seja ele qual for ou como for.
Tiro como exemplo o nosso céu que hora sorri e outra chora, basta ele ter vontade de chover. Uma lagrima fez questão de escorrer, mas logo se secou.
Entender esse querer não é nada fácil, pois ele pode não falar a mesma língua. Captar um sinal é pior ainda, ele pode ser imaginário. Decifrar um sorriso nem sempre tem um significado de felicidade e sim de vontade de falar algo, mas que falta a coragem de dizer.
Lembrar do que se foi nem é pecado e pode ser que ainda tenha uma continuidade, serve até como estimulo para o melhor.
Sacar que começou um jogo é estar ligado nos jogadores.
Sinto que uma voz tamanha quer gritar e ouço que existe um alerta onde se entregar sem medo hoje em dia esta cada vez mais rara.
Às vezes escrevo aqui o que meus dedos querem digitar, mas nada é por acaso e o tempo mostra que "tempo" não existe e sim caminha junto com os dias que se vão. Observar cada palavra, gesto, faz de uma mudança muito mais notória.
Dói perceber que algo se perdeu e se ainda não se perdeu é grande a porcentagem disso acontecer. Viver um momento seja de anos ou ate mesmo de "um mês" não deixa de plantar um tipo de sentimento e com isso surge a vontade de um abraço.
"Deve fazer parte..." é o que logo aflora no meu interior. Em algum lugar deve existir uma "porta onde um dos dois vai ter que abrir" assim já conta na musica cantada por Fabio Junior "Sem Limites Pra Sonhar". Claro que tem que ter o famoso querer...
Então, enquanto isso tudo caminha sim, só que na contramão. Pode não haver respostas concretas agora para algo, mas esse famoso "tempo" tragara tudo o que for necessário e para quem observa, só falta uma certeza.

Penso que uma bala ao ser degustada com vontade, deixa melado toda a boca e depois que se acaba fica somente o gosto do mel e vem à secura dando a sede com um desejo enorme de se refrescar com apenas um copo d’água e assim lavando tudo. Assim, se faz com a cabeça.

Nada como um dia apos o outro e mais uma vez direi: atenção é tudo!

E ser real é muito mais interessante...






"the end".



(Sabrina Receputi)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vejo as folhinhas dos calendários voarem e atravessarem os ponteiros do meu relógio.




Iniciarei o meu texto com duas breves perguntas:

- O que esta acontecendo com os ponteiros dos relógios?
- E com as datas dos calendários?
Está tudo assim tão rápido.
Me peguei em um momento de reflexão comigo mesma.
Rodou um filme em preto e branco em minha cabeça neste momento e resolvi contar.

Era uma vez, uma menina que corria pela casa de fraudinha e não deixava a sua mãe quieta por tamanha falta do que fazer ou até mesmo por gostar de estar perto dela.
Carregava desde criança cachinhos castanhos escuros e um lindo par de covinhas.
Sempre emburradinha e pirracenta, ela ia mamar. Morria de medo da solidão, por isso nunca dormia sozinha em seu travesseiro gelado. Seu irmão era o atentado da historia, vestia uma roupa de um super herói qualquer em seu imaginário e fazia a “sua” festa nos lugares. Era muito bom!
Ela nunca deixou de morar em seu quarto, fez deste lugar um cantinho repleto de memórias fotográfica onde só ela sabe dos fatos.
As festas aconteciam e ela mais uma vez nunca se abria direito, apenas observava cada um presente e depois pensava consigo mesma como poderiam ser tão malucos. Coisas de crianças. Afinal, ela quase nunca brincava ou se arriscava nessas aventuras.
Até hoje ficou em seu interior a vontade de se extrapolar em uma piscina de bolinhas, de descer sem medo em um tobogã gigante, de pular das alturas sem se machucar... O que a timidez não faz ou até mesmo o medo de expor uma vontade.
Nas ruas, ela brincava de queimada. No colégio, jogava futebol com seus amiguinhos enquanto que suas amigas jogavam peteca. No ginásio, deu o seu primeiro beijo e hoje muita coisa mudou.
No meio disso tudo, os ponteiros continuaram e continuam a quase cento e vinte por hora.
Por viver em um país corrupção, ela adotou maneiras para viver em paz e carrega uma maturidade de uma boa educação, mesmo por ter se prendido tanto no meio de sua timidez.
Mas, mesmo assim ela agradece por não terem tido pena das lagrimas que por tantas vezes passearam em seu rosto, quando ela quis brincar nas ruas próximas de sua casa. Todos os seus amiguinhos daquela época hoje seguem um rumo diferente.
Um é traficante, outro é viciado em drogas. Uma vive indo para a prisão sabe lá porque, outra tem três filhos e nem veste a roupa de uma boa mãe.
Ela continua quieta na sua e apenas escolhendo o melhor, para não possuir um sobrenome assim relacionado ao crime. Melhor assim!
Vejo as folhinhas dos calendários voarem e atravessarem os ponteiros do meu relógio.
Dias e noites invadindo o presente e fazendo do passado um pequeno filme onde não se pode mais voltar atrás.

Agora, tenho só mais uma pergunta a fazer:
- Já que tudo passou tão rápido, o que será dessas crianças que hoje vejo brincar nessas mesmas ruas, sendo que são filhos dos mesmos que essa moça quis brincar um dia?

Acredito que eu já vi esse filme antes, só que agora em cores.


(Sabrina Receputi)